O mundo encantado dos pigmentos

O tempo que demorei a aventurar-me no universo dos pigmentos é absurdo. Se por um lado olhava para as minhas paletas e não encontrava nenhuma sombra com um brilho ofuscante acompanhado de uma pigmentação extrema, por outro tinha a sensação de não ter as skills suficientes e temia a grande probabilidade de ver a minha cara transformada numa bola de cristal.

Inseguranças de amante de maquilhagem autodidata à parte, entrar numa Inglot pela primeira vez sem ficar a babar no expositor de pigmentos é impossível. Não só fiquei a imaginar aqueles duocromáticos nos meus olhos, como também num par de sapatos ou até para um futuro carro.

Pigmentos?

Para quem não faz ideia do que estou a falar, os pigmentos são, de forma brejeira e pouco técnica, uma sombra de olhos por compactar. São pós soltos coloridos, que podem ter uma multiplicidade de acabamentos e texturas, dispostos num boião semelhante ao de um bálsamo labial.

Os AMC Pure Pigment, da Inglot, são altamente concentrados, sendo fácil optar por uma aplicação subtil ou mais intensa, dependendo da forma como esta é feita e dos produtos escolhidos para auxiliar neste passo. Neste caso, o auxiliar é mesmo imprescindível. Na Inglot encontramos outras gamas com diferentes texturas, como os Body Pigment e os Body Sparkles.

Aplicação

Ao contrário das sombras em creme, por exemplo, que conseguem funcionar como primer de olhos e sombra ao mesmo tempo, os pigmentos não são algo pelo qual queiramos optar quando estamos com pressa. Requerem alguma paciência e é por essa mesma razão que não os utilizo com tanta frequência como gostaria.

Ainda que possam ser utilizados por cima do primer, o fallout inevitável fez com que a primeira vez que experimentei esta forma fosse a última. Aplicar pigmentos sem nenhuma base, então, é para esquecer – infelizmente (ou não) a fórmula destes potinhos preciosos é composta por aproximadamente 90% de pigmento puro, logo o seu poder de fixação é nulo. É aqui que entra o Duraline, o líquido multifunções à prova de água da Inglot.

Numa superfície coloco um bocadinho do pigmento e umas gotas de Duraline, misturo tudo e voilá, temos um pigmento na sua forma líquida, pronto a ser aplicado com um pincel achatado ou com um aplicador de silicone, como se tratasse de uma sombra em creme, que não irá a lado nenhum durante o dia todo.

Inglot AMC Pure Pigments 14 e 85; Body Sparkles 55

Mas o que é que eles têm que as sombras não têm?

O facto de terem partículas de vários tamanhos e acabamentos torna-os únicos. É fácil perceber porque é que não estão compactados. O brilho intenso (alguns deles têm mesmo pequenos flocos de glitter) e a pigmentação extrema são coisas que simplesmente não encontro em nenhuma sombra com shimmer que tenha. Se estão a pensar em aventurar-se neste universo dos pigmentos e estão demasiado agarrados aos vossos tons neutros, optem por um tom duochrome, como o número 85. Foi amor ao primeiro swatch, tirou todos os receios que tinha de sair da cápsula dos nudes e foi o primeiro passo para começar a perceber que utilizar mais cor nos olhos não é esse bicho papão.

AMC Pure Pigment Eye Shadow, 14.90€, Inglot /Duraline, 11,90€, Inglot

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